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sábado, 3 de abril de 2021


Olha ao céu e pede a Deus que dê só mais um minutinho ali.

E o tempo que antecede a partida,

O que mais se teme é que se deixe desatar

 o nó da garganta durante a despedida.

Nunca deixou de lutar,

não deixou de ser amor, e de amar.

Desejou banhar-se no mar,

e permitir-se pela água curar.


E quando toca o telefone,

já se sabe o que vem;

É hora de dizer adeus, a quem tanto quisera bem.


Do outro lado, 

quem passa o recado

sofre calado,

Não foi o primeiro, não será o último.

Teme quem seja o próximo, 

Pede a Deus que a cena não se repita,

mas quando termina o recado,

alguém lhe grita:

Outra vítima, confirmado!


quinta-feira, 30 de abril de 2020


Vivemos em uma era de verdades absolutas na qual só aquilo que nos convém parece certo e as demais coisas são erradas e precisam ser canceladas. Nessa era discordamos de atitudes e cancelamos pessoas, odiamos eternamente por pequenos erros, compramos brigas desnecessárias "por afinidades". É claro que fazemos isso porque somos perfeitos, nunca erramos (e sim, leia isso com uma voz sarcástica para fazer sentido), estamos blindados e jamais fracassaremos. 
Muitas vezes me pego pensando e chego a mesma conclusão, posso estar errada, mas acredito que não existem erros universais, calma, vou explicar. Aquilo que é certo para mim pode não ser para você, acredito que o que taxamos como erros e acertos estão muito mais ligados com a cultura em que estamos inseridos, com a forma que fomos educados, com nossas crenças do que de fato se somos uma pessoa boa ou má.
Quando praticamos esse tal do "cancelamento" fazemos pré-julgamentos em relação a nós mesmos, não olhamos para a pessoa enquanto um ser humano de diversidades, diferente do nosso próprio padrãozinho. 
Falando em nosso padrãozinho, infringimos várias regras que nós mesmos havíamos definidos previamente como erro, mas quando publicamente alguém faz a mesma coisa somos os primeiros a apontar o dedo e julgar, muitas vezes destruindo psicologicamente outro ser humano numa tentativa de se sentir uma pessoa menos "má".
A verdade é que enquanto "cancelamos" alguém, anteriormente,  já fizemos isso com nós mesmos.
Não vamos sustentar a cultura do cancelamento, somos meros humanos sujeitos a "erros" dentro de qualquer "padrão", especialmente daquele que acreditamos.

sexta-feira, 17 de abril de 2020


Será até que ponto a frase "estamos todos no mesmo barco" faz sentido diante do contexto atual?
Parece pesado, eu sei, mas a realidade é pesada mesmo, enquanto muitos de nós aproveitam as regalias, adquire alguns quilos a mais, dorme em uma cama quentinha, milita nas redes sociais, "curte" a quarentena, tem gente fazendo amizade com a fome. 
Enquanto nos organizamos com um metro de distância na fila, cobrimos nosso rosto com máscaras e protegemos nossas mãos, há um ser humano dormindo na praça que se quer sabe o que está acontecendo, então como podemos dizer que estamos todos no mesmo barco?
Nos últimos dias me peguei por diversas vezes questionando a respeito do contexto em que nos encontramos, do quanto a desigualdade de classe é mais preocupante do que nunca. Quando por fim encontrei um vídeo com o qual consegui concordar, me chamou muito atenção quando o autor dizia "não estamos no mesmo barco, mas estamos todos enfrentando a mesma tempestade no mesmo mar", e mais uma vez o capitalismo vem nos mostrar o quanto somos seus escravos. Enquanto alguns tem os melhores barcos e todos os equipamentos necessários para sair ileso dessa tempestade, há quem não tem sequer uma boia, e há ainda quem deveria nos garantir de ver o arco-iris depois disso tudo, mas que pelo bem do capital quer nos fazer entender que é apenas "uma chuvinha".
Não, não estamos no mesmo barco, e nunca estivemos.

segunda-feira, 28 de maio de 2018


Que país é esse, que se vive uma ditadura em plena democracia?
É o país onde as ruas parecem mortas enquanto o calor do sol queima o pouco de esperança que resta.
É o país que precisa de guerra para encontrar a paz. 
É o país que quem se cala consente. 
É o Brasil, país do rico e do pobre, do negro e do branco, do novo e do velho, é o seu, o meu, é o nosso país. 
Não tem como em meio a tanto colapso eu me calar, em uma cidade onde poucos carros estão "livremente" na rua... Mesmo que você não queira, ainda assim está no meio desse momento histórico. 
É um vai e vem de pessoas discutindo sobre esse contexto, tem gente indignado com a gasolina, outros com o STF, falam do excelentíssimo "presidente", da Petrobras, dos caminhoneiros. Sabe o que EU tenho percebido com isso tudo? O ser humano apesar de racional é muito hipócrita, pois só da valor depois que perde. Não, não estou falando da política em si. 
Quem é que algum dia agradeceu pelo litro de gasolina que tinha? Agora é uma greve, mas e se fossemos perdendo a cada dia alguma coisa?
Se for parar para pensar, politicamente cada dia temos menos, menos direito, menos voz, menos chance, liberdade, poder...
Sabe do que o país precisa? De um grito de guerra único, sem partido, sem "lado", sem jogo, sem categoria. O país precisa da união de TODOS por TODOS.

Viva a democracia, mesmo que velada há muito tempo!
Vamos levantar menos a bandeira do partido e mais a bandeira da renovação.

domingo, 18 de fevereiro de 2018


A sociedade é violenta, crua de afeto e carente de amor.
Na última semana eu fiquei sabendo de um fato que me revoltou muito: o atentado em uma escola na Flórida.
De um lado famílias de adolescentes e adultos inocentes vítimas desse ato desumano, que embora eu tenha lido algo sobre o governo cobrir as despesas do funeral, nada irá preencher o vazio. De outro lado o assassino de 19 anos. Ele poderia ter escolhido um shopping, uma praça pública, uma igreja, qualquer lugar para cometer esse atentado, mas não, ele escolheu uma escola, e não uma qualquer, a escola em que estudou e foi expulso. Como eu disse, fiquei intrigada com o assunto, e pesquisei bastante antes de trazer algo aqui que me deixava com raiva e tristeza ao mesmo tempo, vi relato de um adolescente que estudou com o garoto onde ele dizia que "Nikolas era muito quieto", professores disseram que ele foi expulso por indisciplina, a sociedade afirma que ele tem transtornos mentais, obcecado por armas, conviveu com família adotiva e perdeu ambos, pai e mãe adotiva. Será que o tempo todo ele não estava pedindo socorro através das atitudes e ao invés de receber ajuda foi julgado?
Ninguém é uma pessoa má sem que uma sementinha tenha sido plantada e cultivada, devemos prestar mais atenção nas pessoas e ao invés de julgar a atitude delas procurar saber o que fez com que a pessoa agisse assim. Não estou dizendo que ele fez a coisa certa matando inocentes, pelo contrário, mas quantas vezes você não teve que pôr pra fora aquilo que te encheu? E vamos ter que concordar, escola é complicada!
Eu particularmente que sou "tranquila" já ultrapassei varias vezes o limite. Cá entre nós, já comprei brigas por estar realmente carregada por dentro e não poder colocar para fora. Uma coisa que praticamente ninguém sabe é que teve um dia que eu recebi a noticia de que minha mãe estava desenganada, tentei ser forte e decidi que seria se ninguém soubesse disso, mas de repente acabou tendo uma confusão na escola e me envolvi, eu não tinha nada a ver com aquilo, mas de alguma forma me senti ameaçada, lembro até hoje o quanto eu tremia, meus olhos enchendo de lágrimas, um peso dentro do meu peito, a incerteza da vida daquela que me deu a vida, e alguém discutindo comigo e acusando de coisas que não faziam o menor sentido. Não sei como fui parar lá, só lembro-me de estar no banheiro no meio da minha primeira crise, a primeira de muitas que vieram em seguida. O que eu quero dizer é que naquele dia a sociedade violenta arrancou um pedaço de mim e se eu tentar ter uma lembrança boa não terei jamais, o mundo estava morrendo dentro de mim e alguém estava matando o mundo de fora também, mesmo que de forma inconsciente.
Não mate o mundo de outra pessoa porque amanhã ela pode matar outra no mundo. Ninguém é calado e rebelde se não tem um motivo. Já teve momento em que fui chamada de rebelde sim, fui proibida de fazer certas coisas, fui xingada, mas o que mais me indignava era que ninguém que me repreendeu parou para olhar nos meus olhos e perguntar por que aquela menina "quieta" estava tão rebelde. E aos que pararam: obrigada! Foi por vocês que amanhã ou depois eu e mais centenas de pessoas não vamos fazer um atentado em uma escola.