segunda-feira, 8 de junho de 2020
domingo, 10 de maio de 2020
Eu tentei escrever carta fechada, mas não pude, me perdoe por ser carta aberta.
Amanhece o Domingo onde celebram presenças e aqui não te tenho presente fisicamente.
Não tem sido semana fácil, os últimos dias se misturaram entre crises de ansiedade e saudade. Sei que ainda tenho o seu amor, e terei infinitamente mesmo além da vida, mas sinto falta do teu abraço, do teu carinho, as vezes quase me esqueço como era a sua voz, os desenhos da sua mão e a curva do seu sorriso.
Me perdoe por não ter pedido sua ajuda todas as vezes que eu precisei, por não ter percebido que aquele era o nosso último dia, por ter duvidado quando disse que eu estava sendo usada, por ter preferido acreditar na minha imaginação do que perceber o real caminho que as coisas estavam tomando. Me perdoe por todas as vezes que tive medo de te perder e chorei em algum banheiro por aÃ, inclusive por estar chorando enquanto te escrevo.
Tenho errado muito ultimamente, peço desculpas por não ser a melhor filha e te decepcionar algumas vezes, por falar demais e sem pensar. Aproveito para me desculpar por todos aqueles que acham que eu não tenho mãe e podem me educar, quando não puderam educar nem os próprios filhos. Se eu não sou perfeita não é culpa sua.
Tenho guardado o possÃvel e evitado vomitar problemas em redes sociais, mas hoje escrevo em nome de filhos de anjos. Daqueles que hoje em dia esquecem o agasalho nos dias frios, e não se lembram do guarda-chuva nos dias chuvosos. Daqueles que tem uma cicatriz no peito, e que volta e meia alguma coisa esbarra e volta a sangrar tudo de novo.
Pensei que um ano após o outro dia das mães se tornaria só mais uma data capitalista, engano meu. Dói como a primeira data desde que partiu.
Feliz dia das mães aos anjos que vivem no céu e aqueles que ainda são mães na terra.
Ser mãe é uma missão que atravessa a vida.
quinta-feira, 30 de abril de 2020
Vivemos em uma era de verdades absolutas na qual só aquilo que nos convém parece certo e as demais coisas são erradas e precisam ser canceladas. Nessa era discordamos de atitudes e cancelamos pessoas, odiamos eternamente por pequenos erros, compramos brigas desnecessárias "por afinidades". É claro que fazemos isso porque somos perfeitos, nunca erramos (e sim, leia isso com uma voz sarcástica para fazer sentido), estamos blindados e jamais fracassaremos.
Muitas vezes me pego pensando e chego a mesma conclusão, posso estar errada, mas acredito que não existem erros universais, calma, vou explicar. Aquilo que é certo para mim pode não ser para você, acredito que o que taxamos como erros e acertos estão muito mais ligados com a cultura em que estamos inseridos, com a forma que fomos educados, com nossas crenças do que de fato se somos uma pessoa boa ou má.
Quando praticamos esse tal do "cancelamento" fazemos pré-julgamentos em relação a nós mesmos, não olhamos para a pessoa enquanto um ser humano de diversidades, diferente do nosso próprio padrãozinho.
Falando em nosso padrãozinho, infringimos várias regras que nós mesmos havÃamos definidos previamente como erro, mas quando publicamente alguém faz a mesma coisa somos os primeiros a apontar o dedo e julgar, muitas vezes destruindo psicologicamente outro ser humano numa tentativa de se sentir uma pessoa menos "má".
A verdade é que enquanto "cancelamos" alguém, anteriormente, já fizemos isso com nós mesmos.
Não vamos sustentar a cultura do cancelamento, somos meros humanos sujeitos a "erros" dentro de qualquer "padrão", especialmente daquele que acreditamos.
sexta-feira, 17 de abril de 2020
Será até que ponto a frase "estamos todos no mesmo barco" faz sentido diante do contexto atual?
Parece pesado, eu sei, mas a realidade é pesada mesmo, enquanto muitos de nós aproveitam as regalias, adquire alguns quilos a mais, dorme em uma cama quentinha, milita nas redes sociais, "curte" a quarentena, tem gente fazendo amizade com a fome.
Enquanto nos organizamos com um metro de distância na fila, cobrimos nosso rosto com máscaras e protegemos nossas mãos, há um ser humano dormindo na praça que se quer sabe o que está acontecendo, então como podemos dizer que estamos todos no mesmo barco?
Nos últimos dias me peguei por diversas vezes questionando a respeito do contexto em que nos encontramos, do quanto a desigualdade de classe é mais preocupante do que nunca. Quando por fim encontrei um vÃdeo com o qual consegui concordar, me chamou muito atenção quando o autor dizia "não estamos no mesmo barco, mas estamos todos enfrentando a mesma tempestade no mesmo mar", e mais uma vez o capitalismo vem nos mostrar o quanto somos seus escravos. Enquanto alguns tem os melhores barcos e todos os equipamentos necessários para sair ileso dessa tempestade, há quem não tem sequer uma boia, e há ainda quem deveria nos garantir de ver o arco-iris depois disso tudo, mas que pelo bem do capital quer nos fazer entender que é apenas "uma chuvinha".
Não, não estamos no mesmo barco, e nunca estivemos.
domingo, 5 de abril de 2020
"Você é sua melhor companhia" nunca fez tanto sentido quanto agora.
A magia acontece quando você acorda em um dia qualquer e percebe que no meio de tantos desencontros está começando a se encontrar, quando você consegue olhar para o espelho sem recusar, fecha os olhos e sente o mundo sem medo de ter que abri-los novamente.
Existe uma coisa meio doida chamada autoestima, e quando digo meio doida é isso mesmo que quero falar, uma hora ela te dá poder de ser quem você quiser, e outra hora te trata como lixo. A maioria de nós sofremos com isso diariamente e não é um rostinho esteticamente perfeito que levanta a autoestima de alguém, não vamos negar, pode ajudar sim, mas não é uma coisa que se constrói exclusivamente por fora.
Muitas vezes como nos sentimos em relação a nós mesmos está diretamente ligado a quem as pessoas nos fizeram acreditar que éramos, a quem elas quiseram nos diminuir, nos construir de uma forma distorcida.
A verdade é que autoestima tem tudo a ver com liberdade, de você sentir-se livre para olhar o céu todos os dias, de banhar no calor do sol, de desenhar nas nuvens, de mapear as constelações, sem medo da opinião dos demais, sem medo de apreciar cada contorno que desenha essa obra prima que você é, de entender que foi escolhido o melhor tom de pele que poderia ter e que seus cabelos foram modelados com carinho. E está tudo bem mudar!
Nós podemos ser mais, nos amar mais, pois não somos o que a sociedade quer que sejamos. Merecemos alguém para amar, poderemos amar o mundo depois de amar a nós mesmos.
É uma luta diária, uma vez que autoestima é sobre ser quem você quiser e somos cada dia uma nova fase.
Se reinvente todos os dias e descubra o amor próprio um pouquinho por vez.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2020
Abro as caixas cheias de passado na esperança de que aquilo tudo não tivesse mais efeito sobre mim, mas em vão.
Sinto até mesmo as gotas da chuva alfinetarem a minha alma e uma a uma as cicatrizes abrirem novamente.
Cada uma das cartas, fotografias e recortes de jornais me trazem uma lembrança, que mesmo uma lembrança feliz, nesse momento machuca.
São lembranças de um personagem que já deixou essa história. Por isso que machuca tanto. É a única prova de que ele foi real, de que houve vida, é a única explicação para o amor que não muda, mesmo com as reviravoltas do enredo e os vários capÃtulos que se passaram desde sua partida.
É, lembrança quando vem patrocinada pela saudade e capaz de derrubar qualquer guerreiro, e não importa o quão forte alguém pareça ser, ela sempre tem um jeito de mexer com a cabeça de qualquer um.
Quando me disseram "guarde apenas as boas lembranças" pensei que não me machucaria, mas é aà que dói mesmo viu, porque você percebe que os bons momentos são passageiros, que os momentos de felicidade se resumem a rápidos capÃtulos, que as vezes se enceram antes mesmo do clÃmax, porém quando a gente percebe já é passado.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2020
Talvez seja hora de voltar.
Talvez seja a melhor hora para voltar, voltar a acreditar nos sonhos, voltar a sonhar, a ter esperanças, a acender a chama da vida.
Talvez seja a melhor hora para voltar a viver, a viver cada momento único.
Talvez esteja passando da hora de amar, de voltar a acreditar no amor, a ter esperança que ainda há bondade no mundo.
É hora de lutar por um mundo melhor, de fazer o nosso mundo e das pessoas que convivem conosco melhor.
É o momento perfeito para sorrir a cada uma das nossas cicatrizes, de agradecer a cada fase, que mesmo exigindo muito de nós, as vezes destruindo até a alma, nos fez amadurecer, nos faz entender que não se torna uma borboleta sem um dia estar no casulo.
É hora de não desistir de nós mesmos.
É hora de sorrir para a vida.




