sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Passageiros.

Abro as caixas cheias de passado na esperança de que aquilo tudo não tivesse mais efeito sobre mim, mas em vão.
Sinto até mesmo as gotas da chuva alfinetarem a minha alma e uma a uma as cicatrizes abrirem novamente.
Cada uma das cartas, fotografias e recortes de jornais me trazem uma lembrança, que mesmo uma lembrança feliz, nesse momento machuca.
São lembranças de um personagem que já deixou essa história. Por isso que machuca tanto. É a única prova de que ele foi real, de que houve vida, é a única explicação para o amor que não muda, mesmo com as reviravoltas do enredo e os vários capítulos que se passaram desde sua partida.
É, lembrança quando vem patrocinada pela saudade e capaz de derrubar qualquer guerreiro, e não importa o quão forte alguém pareça ser, ela sempre tem um jeito de mexer com a cabeça de qualquer um.
Quando me disseram "guarde apenas as boas lembranças" pensei que não me machucaria, mas é aí que dói mesmo viu, porque você percebe que os bons momentos são passageiros, que os momentos de felicidade se resumem a rápidos capítulos, que as vezes se enceram antes mesmo do clímax, porém quando a gente percebe já é passado.

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